8 livros que todo antirracista precisa ler

Homem negro com textos literários escritos na face.

O Resistência Afroliterária foi criado porque acreditamos que a literatura é uma arte que promove mudanças e desenvolvimentos e ocupar este espaço ainda predominantemente branco, com nossas histórias é imprescindível para criarmos uma sociedade antirracista. Por isso, neste  Dia da Consciência Negra, que nos propõe refletir sobre o que é ser negro, tornar-se negro e qual o papel do negro na sociedade — até que este dia não seja mais necessário —, indicamos aqui oito livros para nos ajudar nessa revolução social.

“Apropriação Cultural” – Rodney William

No sétimo volume da coleção Feminismos Plurais, o doutor em Ciências Sociais e babalorixá Rodney William trata o tema da apropriação cultural sob a ótica histórico-cultural do colonialismo, relembrando o processo de aculturação e aniquilamento dos costumes pelo qual passou os povos escravizados. Faz, a partir daí, a conexão com as práticas predatórias dos mercados capitalistas colonizadores atuais, que se valem dos traços culturais de um povo para lucrar, e esvaziam de significado esses símbolos de pertencimento.

Foto de Rodney William, autord= do livro Apropriação Cultural

“E eu não sou uma mulher?” – bell hooks

Uma obra fundamental sobre a mulher negra e os preconceitos socioculturais ainda presentes. Clássico da teoria feminista, “Eu não sou uma mulher?” tornou-se leitura obrigatória para as pessoas interessadas nas questões relacionadas à mulheridade negra e na construção de um mundo sem opressão sexista e racial.

Sojourner Truth, denunciou, em 1851, na Women’s Convention que o ativismo de sufragistas e abolicionistas brancas e ricas excluía mulheres negras e pobres. A partir do discurso de Truth, que dá título ao livro, hooks discute o racismo e sexismo presentes no movimento pelos direitos civis e no feminista, desde o sufrágio até os anos 1970. “E eu não sou uma mulher?” é um livro imprescindível, a ser lido por todas as pessoas que lutam para tornar o mundo um lugar livre de opressões de raça, cor, classe e gênero.

“Escritos de uma vida” – Sueli Carneiro

“Sueli nos brinda com uma coletânea de artigos publicados ao longo da vida e que refletem sobre a necessidade de se pensar novos marcos civilizatórios. O pensamento feminista negro potente de Sueli Carneiro é fundamental e atual para o debate racial e de gênero e construção de um modelo alternativo de sociedade.”– Djamila Ribeiro

Com prefácio de Conceição Evaristo, apresentação de Djamila Ribeiro e orelha de Átila Roque, “Escritos de uma vida” reúne uma série de artigos publicados por Sueli Carneiro ao longo de sua vida. Seus textos abordam temáticas imprescindíveis para refletir sobre a sociedade e moldar o pensamento.

“Lugar de fala” – Djamila Ribeiro

Com o objetivo de desmistificar o conceito de lugar de fala, a autora contextualiza neste livro o indivíduo tido como universal numa sociedade cis-heteropatriarcal eurocentrada, para que seja possível identificarmos as diversas vivências específicas e, assim, diferenciar os discursos de acordo com a posição social de onde se fala.

“Mulheres, raça e classe” – Angela Davis

Mais importante obra de Angela Davis, “Mulheres, raça e classe” traça um poderoso panorama histórico e crítico das imbricações entre a luta anticapitalista, a luta feminista, a luta antirracista e a luta antiescravagista, passando pelos dilemas contemporâneos da mulher. O livro é considerado um clássico sobre a interseccionalidade de gênero, raça e classe.

Angela Davis, autora de Mulheres, raça e classe

O reexame operado pela escrita dessa ativista mundialmente conhecida é indispensável para a compreensão da realidade do nosso país, pois reforça a práxis do feminismo negro brasileiro, segundo o qual a inobservância do lugar das mulheres negras nas ideias e projetos que pensaram e pensam o Brasil vem adiando diagnósticos mais precisos sobre desigualdade, discriminação, pobreza, entre outras variáveis.

“O perigo de uma história única” – Chimamanda Ngozi Adichie

O que sabemos sobre outras pessoas? Como criamos a imagem que temos de cada povo? Nosso conhecimento é construído pelas histórias que escutamos, e quanto maior for o número de narrativas diversas, mais completa será nossa compreensão sobre determinado assunto.
É propondo essa ideia, de diversificarmos as fontes do conhecimento e sermos cautelosos ao ouvir somente uma versão da história, que Chimamanda Ngozi Adichie constrói a palestra que foi adaptada para livro. O perigo de uma história única é uma versão da primeira fala feita por Chimamanda no programa TED Talk, em 2009.

Responsável por encantar o mundo com suas narrativas ficcionais, Chimamanda também se mostra uma excelente pensadora do mundo contemporâneo, construindo pontes para um entendimento mais profundo entre culturas.

“Pequeno manual antirracista” – Djamila Ribeiro

Neste pequeno manual, a filósofa e ativista Djamila Ribeiro trata de temas como atualidade do racismo, negritude, branquitude, violência racial, cultura, desejos e afetos. Em onze capítulos curtos e contundentes, a autora apresenta caminhos de reflexão para aqueles que queiram aprofundar sua percepção sobre discriminações racistas estruturais e assumir a responsabilidade pela transformação do estado das coisas. Djamila Ribeiro argumenta que a prática antirracista é urgente e se dá nas atitudes mais cotidianas. E mais ainda: é uma luta de todas e todos.

Djamila Ribeiro, autora de Lugar de fala e Pequeno manual antirracista

“Por que eu não converso mais com pessoas brancas sobre raça” – Reni Eddo-Lodge

Em 2014, a premiada jornalista Reni Eddo-Lodge escreveu sobre suas frustrações a respeito da forma como as discussões sobre raça e racismo no Reino Unido estavam sendo lideradas por aqueles que não eram afetados por isso. Ela postou um texto em seu blog, com o título: “Por que eu não converso mais sobre raça com pessoas brancas”. Suas palavras atingiram em cheio. O post viralizou e chegaram comentários de outras pessoas desesperadas para compartilhar suas próprias experiências. Impressionada com essa explícita necessidade de uma conversa franca, ela decidiu se aprofundar na fonte desses sentimentos.

Explorando questões desde a erradicada história negra até o propósito político da dominância branca, do feminismo branqueado até a intrínseca relação entre classe e raça, Reni Eddo-Lodge proporciona uma oportuna e essencial estrutura nova de ver, reconhecer e combater o racismo.