Livros adaptados para #LeituraPreta de setembro

Livros adaptados para #LeituraPreta de setembro

Por Sérgio Motta

12 de setembro de 2020

Ler obras escritas por pessoas negras e, principalmente, com protagonistas negros é de suma importante para nós. Mas são quando eles tomam vida para além dos livros, quando vemos pessoas negras protagonizando filmes, séries e tomando os palcos é quando vemos de fato nossa imagem e semelhança. E, literalmente, de forma espetacular.

Hoje todo neguin quer juntar um din
Ver filme de Ogum e não de Odin

Não é a toa que Pantera Negra virou o filme de super-herói solo mais lucrativo da história (atrás apenas dos filmes dos Vingadores). Rincon Sapiência faz esta rima na música “O céu é o limite”, pois, se nossos rostos viram referências, realmente só o céu é o limite — e olhe lá.

Nosso cérebro funciona por associações. Nós precisamos de estímulos de referências. As visuais são fortes e marcantes, sobretudo de nossos semelhantes. Cada pessoa negra que vemos como referências na mídia e nas artes, tomando forma, aparecendo para grandes públicos, tendo seu nome falado pelo mundo, mostra que, embora não seja fácil, é possível estarmos no topo, no futuro ou onde precisarmos e querermos estar.

Precisamos ver menos o “Herói de mil faces” brancas de Joseph Campbell e mais o “Herói com rosto africano” de Clyde W. Ford. Por isso, no #LeituraPreta de setembro, vamos ler livros que já foram adaptados para outras mídias (depois, assistí-los e discutir se a adaptação é tão boa quanto o livro, é claro!).

“Pessoas como nós em situações assim viram hasthags, mas raramente conseguem ter justiça.”

Nossa leitura oficial deste #LeituraPreta será “O ódio que você semeia” de Angie Thomas, um livro que já lemos, mas que merece ser relido — e o filme reassistido — em um momento histórico do Black Lives Matter. Na história, a protagonista Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial. Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto. Em luto e indignada com a injustiça explícita que presenciou, Starr precisa descobrir a sua voz.

Livros de autores negros adaptados para filme, série ou teatro

“A cor púrpura” de Alice Walker
O romance retrata a dura vida de Celie, uma mulher negra no sul dos Estados Unidos da primeira metade do século XX. Pobre e praticamente analfabeta, Celie foi abusada, física e psicologicamente, desde a infância até a vida adulta. Um universo delicado, no entanto, é construído a partir das cartas que Celie escreve e das experiências de amizade e amor. “A cor púrpura” é extremamente atual e nos faz refletir sobre as relações de amor, ódio e poder, em uma sociedade marcada pelas desigualdades de gêneros, etnias e classes sociais.

“Amada” de Toni Morrison
Sethe é uma ex-escravizada que, após fugir da fazenda em que era mantida cativa com os filhos, foi refugiar-se em Cincinatti. No caminho, ela dá à luz um bebê, a menina Denver, que vai acompanhá-la ao longo da história. A relação familiar, bem como os traumas do passado escravizado, transformarão a vida e o futuro de ambas de forma irreversível.

“Dom Casmurro” de Machado de Assis
O romance trata das memórias de Bento Santiago, o advogado recluso e calado que recebe e adota o apelido mencionado no título da obra. Com a sutileza que lhe é própria, o autor explora as incongruências desse personagem, deixando transparecer sua insegurança e ciúme. As ambiguidades de Bentinho moldam o mais famoso “narrador não confiável” da nossa literatura.

“Doze anos de escravidão” de Solomon Northup
Considerada a melhor narrativa já escrita sobre um dos períodos mais nebulosos da história americana, esse livro narra a história real de Solomon Northup, um homem negro livre que, atraído por uma proposta de emprego, abandona a segurança do Norte e acaba sendo sequestrado e escravizado.

“Meio sol amarelo” de Chimamanda Ngozi Adichie
Em meio à guerra de Biafra, na Nigéria, um grupo de pessoas busca provar a si mesmas e ao mundo que é capaz não só de sobreviver, mas também de resguardar seus sonhos e sua integridade moral. Baseado em fatos reais transcorridos na década de 1960, este romance vai além do mero relato, transformando- se em um grandioso painel sobre indivíduos vivendo em tempos de exceção.

“O conde de Monte Cristo” de Alexandre Dumas
Nesse romance, o marinheiro Edmond Dantés é preso injustamente, vítima de um complô. Anos depois, consegue escapar da prisão, enriquece e planeja uma vingança mirabolante. Traições, denúncias anônimas, tesouros fabulosos, envenenamentos, vinganças e muito suspense. “O conde de Monte Cristo” traz uma emoção diferente a cada página.

“O sol também é uma estrela” de Nicola Yoon
Natasha é uma garota que acredita na ciência e nos fatos. Ela não acredita na sorte, nem no destino e muito menos em amor. Até conhecer Daniel, horas antes da família da garota ser deportada para a Jamaica. Eles só tem doze horas juntos, será que esse tempo será o suficiente?

“Os três mosqueteiros” de Alexandre Dumas
Aos 18 anos, d’Artagnan parte da Gasconha, sua terra natal, rumo a Paris para se tornar membro da guarda real. Ao chegar, conhece os inseparáveis mosqueteiros, Athos, Porthos e Aramis. Com eles enfrenta grandes perigos e vive inúmeras aventuras a serviço do rei da França, Luis XIII, e da rainha Ana d’Áustria.

“Quarto de despejo” de Carolina Maria de Jesus
O diário da autora deu origem à este livro, que relata o cotidiano triste e cruel da vida na favela. A linguagem simples, mas contundente, comove o leitor pelo realismo e pelo olhar sensível na hora de contar o que viu, viveu e sentiu nos anos em que morou na comunidade do Canindé, em São Paulo, com três filhos.

“Se a Rua Baile falasse” de James Baldwin
A sólida história de amor de Tish e Fonny é interrompida quando o rapaz é acusado de ter estuprado uma mulher, embora não haja nenhuma prova que o incrimine. Convicta da honestidade do noivo, Tish mobiliza sua família e advogados na tentativa de libertá-lo da prisão.
A trama joga luz sobre o desespero, a tristeza e a esperança trazidos a reboque de uma sentença anunciada em um país onde a discriminação racial está profundamente arraigada ao cotidiano.

“Tudo e todas as coisas” de Nicola Yoon
A doença que eu tenho é rara e famosa. Basicamente, sou alérgica ao mundo. Não saí de casa uma vez sequer em 17 anos. Um dia, um caminhão de mudança para na frente da casa ao lado. Eu olho pela janela e vejo um garoto. Seu nome é Olly. Talvez não seja possível prever tudo, mas algumas coisas, sim. Por exemplo, vou me apaixonar por ele. Isso é certo. E é quase certo que isso vai provocar uma catástrofe.