#LeituraPreta: um autor negro por mês em 2020

#LeituraPreta: um autor negro por mês em 2020

Por Sérgio Motta

6 de janeiro de 2020

O que é o #LeituraPreta? Fizemos dois tweets há alguns dias, com perguntas simples:

A quantidade de comentários e do número de leituras em si, foi desproporcional, é claro. Afinal, colocamos um filtro a mais na segunda pergunta. OK, foi um tanto desproporcional demais… mas seguindo o baile, algumas das pessoas que responderam o segundo tweet, disseram que pretendiam ler ao menos um livro de autor negro por mês… bom, basicamente, esse é o desafio do #LeituraPreta!

#LeituraPreta: um estereótipo derrubado por mês em 2020

Por que participar desse desafio? Não é a primeira nem a última vez que vamos falar sobre isso: o mercado editorial brasileiro é majoritariamente branco. Nos profissionais que trabalham no processo editorial, nos autores e nos personagens dos livros que chegam até a gente. A pesquisa da escritora e professora de literatura brasileira da Universidade de Brasília, Regina Dalcastagnè, mostra isso.

No seu artigo “Entre silêncios e estereótipos: relações raciais na literatura brasileira contemporânea”, a professora mostra que, entre as principais editoras do país, autores nacionais não-brancos são apenas 2,4% dos publicados. Isso reflete na representação dos personagens: um personagem negro para cada dez brancos, sendo a proporção ainda menor, falando exclusivamente de protagonistas.

Fonte: Coletivo de estudantes negras e negros da UFSM Afronta

E o dado mais assustador está nas profissões e papéis destes personagens. Enquanto brancos são professores, artistas, escritores e donas-de-casa, seguindo a cartilha da nobreza europeia, os personagens negros são em sua maioria, prostitutas, bandidos, escravos, empregado domésticos (papéis repudiados ou inferiorizados, nessa mesma cartilha).

#LeituraPreta: um ato de resistência por mês em 2020

Como funciona? O papel do Resistência Afroliterária é dar voz e espaço para autoras e autores negros. Mas não podemos fazer isso sozinhos. Na prática, precisamos de vocês também. Por isso, em 2019, sediamos o #BingoLitNegra, criado pela escritora Solaine Chioro. Um desafio para ler ao menos 5 livros escritos e protagonizados por pessoas negras durante novembro e completar uma linha de uma cartela de bingo. Mas novembro não é o suficiente. A literatura negra está aí o ano inteiro e os autores merecem serem lidos, falados e refletidos por nós o ano inteiro.

Então, decidimos propôr um desafio para vocês: ler um livro de autor negro por mês.

Não é difícil, eu juro! Pois, embora o mercado ainda seja majoritariamente branco, como falamos na retrospectiva dos melhores livros da década, nunca tivemos tantos autores negros ocupando esse espaço.

O desafio é simples: a cada mês, você escolhe um livro que se encaixe na categoria respectiva.

Janeiro: livro lançado no Brasil ou exterior em 2019
Fevereiro: livro premiado
Março: escrito e protagonizado por uma mulher negra
Abril: um clássico
Maio: autor do continente africano
Junho: escrito por alguém da comunidade LGBTQ+
Julho: escrito por um brasileiro
Agosto: não-ficção
Setembro: livro adaptado para série ou filme
Outubro: livro infantil ou infanto-juvenil
Novembro: elegível para o #BingoLitNegra (escrito e protagonizado por uma pessoa negra)
Dezembro: lançado no Brasil ou exterior em 2020

Faremos uma lista de indicações a cada mês com livros que se encaixem na categoria corrente (para janeiro, por exemplo, já temos algumas indicações nas nossas retrospectivas de melhores livros da década de autores nacionais e internacionais), mas você pode ler o livro que preferir.

Caso queira se organizar, baixe nosso calendário completo para você anotar as suas leituras. Você pode baixar o PDF do #LeituraPreta, a planilha ou a imagem abaixo no tamanho completo.

Por fim, divulgue no Twitter ou no Instagram com a hashtag #LeituraPreta seu calendário, seus livros escolhidos, suas leituras completas, o que está achando dos livros, tudo referente ao desafio. Quanto mais estivermos falando sobre literatura negra, mais conseguimos despertar o interesse das editoras em publicar mais e mais autores negros!

Vamos começar o #LeituraPreta?

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