“Rastros de resistência” e outros 29 livros de 2019 para ler no #LeituraPreta em janeiro

“Rastros de resistência” e outros 29 livros de 2019 para ler no #LeituraPreta em janeiro

Por Sérgio Motta

8 de janeiro de 2020

A cada autor negro que é publicado e mostra seu valor, mais espaços conquistamos no mercado editorial. Ainda está longe do ideal, visto a maioria da população brasileira sendo negra. Mas, a cada ano temos mais e mais obras publicadas por autores negros. E nunca houveram tantos publicados em 2019. Por isso, o desafio #LeituraPreta de janeiro é ler um livro de autor negro publicado no ano passado.

Em parceria com a PandaBooks, a nossa leitura será “Rastros de resistência: Histórias de luta e liberdade do povo negro”, de Ale Santos. Resistência é palavra de ordem nesse site, no livro, na história do povo negro e no #LeituraPreta. Por isso, nada melhor do que começar por ele. Afinal, até pontuamos esse livro como um dos mais importante entre autores negros brasileiros da década.

E uma novidade: Você pode ler “Rastros de resistência” junto conosco e participar da nossa resenha no fim do mês! Depois que ler o livro, compartilhe sua opinião sobre o livro ou sobre o desafio com a hashtag #LeituraPreta falando o que achou do livro. Selecionaremos alguns para colocar no texto.

Fonte: Kickante

#LeituraPreta de janeiro: livros lançados em 2019

Você também pode ler qualquer livro de autor negro publicado em 2019! Veja nossa lista:

“Diálogos contemporâneos sobre homens negros e masculinidades”, org. Henrique Restier e Rolf Malungo de Souza
A proposta deste livro é refletir a dinâmica entre relações raciais e gênero e o papel do homem negro na sociedade. Com textos escritos através de diversas óticas sobre masculinidades negras por Henrique Restier, Airan Albino, Caio Cesar, Tulio Augusto Custódio, Osmundo Pinho, Bruno Santana, Lucas Veiga, Tago Elewa Dahoma e Douglas Araújo.

“Reticências”, Solaine Chioro
Uma comédia romântica que acontece entre redes sociais e a vida offline contemporânea. Mas, no lugar dos atores padrões de Hollywood, a história gira em torno de dois personagens negros e gordos.

“Daqui pra baixo”, Jason Reynolds
Aos 15 anos, Will conhece intimamente a violência. Seu irmão mais velho, Shawn, foi assassinado na rua onde a família mora. O drama, escrito em versos, faz a emoção — a confusão, a revolta, o medo — de um garoto armado que sai para vingar o irmão crescer também no peito de quem lê. Um livro impossível de ignorar.

Capa de "Redemoinho em dia quente", livro de Jarid Arraes.

“Redemoinho em dia quente”, Jarid Arraes
Uma das principais vozes da literatura contemporânea, Jarid Arraes traz um livro de contos sobre mulheres brasileiras, especificamente da região do Cariri cearense, que não se encaixam em padrões e desafiam expectativas. Leia nossa resenha de “Redemoinho em dia quente”.

“Coleção Feminismos plurais”, coord. Djamila Ribeiro
A intenção da coleção Feminismos Plurais é trazer para o grande público questões importantes referentes aos mais diversos feminismos de forma didática e acessível. Conheça todos os livros da coleção.

“O olho mais azul”, Toni Morrison
Considerado um dos livros mais impactantes de Toni Morrison, o primeiro romance de Toni Morrison foi relançado no Brasil em 2019. Um livro que mostra a opressão que o preconceito racial pode causar na mais vulnerável das criaturas: uma menina negra.

“Nocturna”, Maya Motayne
No primeiro volume de uma trilogia de fantasia inspirada na cultura latina, uma ladra capaz de mudar de aparência e um príncipe herdeiro se unem para proteger o reino de uma magia perversa.

“Princesas negras”, Edileuza Penha De Souza
Elas estão nas escolas, nas universidades e em diversos postos de trabalho. As princesas negras são inteligentes, lutadoras, espertas e aprendem muito com suas mães e avós. São especiais, com seus cabelos crespos e sua ancestralidade. Uma ode às mulheres negras.

“Escritos de Uma Vida”, Sueli Carneiro
A mulher negra é a síntese de duas opressões, de duas contradições essenciais a opressão de gênero e a da raça. Isso resulta no tipo mais perverso de confinamento. Se a questão da mulher avança, o racismo vem e barra as negras. Um dos livros mais poderosos de Sueli Carneiro.

“Ìségún”, Lu Ain-Zaila
Uma novela do gênero cyberfunk, em que acompanhamos Zuhri, detetive do Núcleo de Combate a Crimes de Ordem Ambiental-Humana, em sua investigação a respeito do assassinato do Dr. Diop. Uma obra única na ficção científica.

“A cientista guerreira do facão furioso”, Fabio Kabral
Fabio Kabral é um dos maiores nomes do afrofuturismo brasileiro. Este livro se passa em Ketu 3, lar do povo melaninado, filhos dos orixás; a metrópole governada por sacerdotisas-empresárias e tecnologias fantásticas movidas a fantasmas e conta a história de Jamila olabamiji, filha de ogum, que quer se tornar a maior engenheira da cidade. A cosmovisão africana é a guia dessa história.

"Eles", livro de Vagner Amaro.
Livro “Eles”, do editor da Malê, Vagner Amaro.

“Eles”, Vagner Amaro
Cada conto deste livro apresenta personagens que afetam e são afetados em razão das ideias mais comuns sobre a identidade masculina. Os personagens do livro buscam se enquadrar e, muitas vezes, fazer com que os outros também se enquadrem no padrão hegemônico de masculinidade, mas não conseguem trair suas prórprias identidades. Leia nossa resenha de “Eles”.

“Flores ao mar”, Lavínia Rocha, Lorrane Fortunato, Olívia Pilar e Solaine Chioro
Ah, a virada do ano: aquela época de renovar os votos e comemorar ao lado de quem a gente ama — ou passar por várias confusões ao lado da família, né? Este livro reúne quatro noveletas, cada uma na perspectiva de uma das irmãs Rios, Lírio, Tulipa, Violeta e Bromélia, em um cruzeiro de Réveillon. Uma coletânea divertida e apaixonante.

“Água doce”, Akwaeke Emezi
Com uma linguagem crua e física, narrada majoritariamente na primeira pessoa do plural – Nós –, a obra renega a possibilidade de um “eu” único e uniforme, celebrando e advertindo sobre a vida em espaços liminares. Um livro como nenhum outro

“Luanda, Lisboa, Paraíso”, Djamilia Pereira de Almeida
A obra vencedora do Prêmio Oceanos de Literatura em Língua Portuguesa de 2019, narra a saga de Cartola e Aquiles, pai e filho que deixam Angola em busca de um tratamento médico em Portugal nos anos 1980 e tem de enfrentar o preconceito racial e colonial.

“Memórias da plantação: Episódios de racismo cotidiano”, Grada Kilomba
Uma compilação de episódios cotidianos de racismo, escritos sob a forma de pequenas histórias psicanalíticas. A obra ganhou destaque em 2019 por ser a mais vendida da FLIP, a Festa literária de Paraty.

“Olhares Negros. Raça e Representação”, bell hooks
Uma coletânea de ensaios críticos que interroga narrativas e discute a respeito de formas alternativas de observar a negritude, a subjetividade das pessoas negras e a branquitude.  Há também outros livros de bell hooks lançados no Brasil em 2019, como “Anseios” e “E eu não sou uma mulher?”.

“Pequeno manual antirracista”, Djamila Ribeiro
Em onze capítulos curtos e contundentes, a autora apresenta caminhos de reflexão para aqueles que queiram aprofundar sua percepção sobre discriminações racistas estruturais e assumir a responsabilidade pela transformação do estado das coisas.

Imagem com a capa do livro "Eu, Tituba: bruxa negra de Salém" de Maryse Condé.

“Eu, Tituba: Bruxa negra de Salem”, Maryse Condé
Tituba, mulher negra, nascida em Barbados, no século XVII, renasce, três séculos depois neste livro. Uma das primeiras mulheres julgadas por praticar bruxaria nos tribunais de Salem, em 1692, Tituba fora escravizada e levada para a Nova Inglaterra pelo pastor Samuel Parris, que a denunciou. Mesmo protegida pelos espíritos, não pôde escapar das mentiras e acusações da histeria puritana daquela época. Leia nossa resenha de “Eu, Tituba”.

“Natan & Lino”, Henri B. Neto
Este livro é um divertido conto de Natal, escrito em forma de diário. A saga dos dois rapazes em busca de gorros de Papai Noel para pagar uma prenda em uma festa natalina. Entre momentos constrangedores e atrapalhados, é uma história que aquece o coração.

“Querem nos calar: Poemas para serem lidos em voz alta”, Org. Mel Duarte
Este livro reúne poesias de 15 mulheres slammers de todas as regiões do Brasil. Slams são batalhas de poesia falada, que tem como destaque temas como racismo, machismo e desigualdade social. Com prefácio de Conceição Evaristo e organização de Mel Duarte, uma das principais slammers do Brasil, integrante do Slam das Minas de São Paulo.

“Uma Autobiografia”, Angela Davis
A obra é um retrato contundente das lutas sociais nos estados unidos durante os anos 1960 e 1970 pelo olhar de uma das maiores ativistas de nosso tempo. Angela Davis conta sua história, mostrando como, ao mesmo tempo, transformou-se em um ícone dos movimentos negro e feminista e entrou para a lista das dez pessoas mais procuradas pelo FBI.

“Bem-vindos à Rua Maravilha”, Gabriel Mar
Um romance LGBT sobre um garoto sonhador. Igor encontra a oportunidade de transformar seu texto, Rua Maravilha, em um musical. Acompanhe a paixão do autor e do grupo de atores que fazem de tudo para transformar Rua Maravilha em realidade.

“2018 – Crônicas de um ano atípico”, Martinho da Vila
Esta obra reúne 48 crônicas divididas pelos doze meses do atípico ano de 2018. Entre os textos, o leitor vê um pouco mais da vida do cantor, como seu aniversário de 80 anos e a renovação de votos de casamento, até uma retrospectiva quente de fatos acontecidos em 2018, como o assassinato de Marielle Franco, as eleições presidenciais, a visita ao ex-presidente Lula em Curitiba e a derrota do Brasil na Copa do Mundo.

“Minha irmã, a serial killer”, Oyinkan Braithwaite
Uma história cheia de suspense e mistério, com humor peculiar e ácido, sem deixar de lado a complexidade da mente de uma sociopata, ao mesmo tempo bem-humorada e assustadora sobre duas irmãs com temperamentos e atitudes bem diferentes uma da outra. Leina nossa resenha de “Minha irmã, a serial killer”.

“Cores Vivas”, Patrice Lawrence
Marlon prometeu. Ele não se meteria em problemas. Não como seu irmão, Andre, líder de uma gangue que pagou um preço alto pelo caminho que escolheu. Sempre foi mais fácil ficar na dele, no quarto, ouvindo os antigos discos do Earth, Wind & Fire de seu pai e assistindo a filmes de ficção científica. Até que ele conhece Sonya. Uma garota linda da escola que, contra todas as probabilidades, lhe dá uma chance. Mas o primeiro encontro dos dois termina em tragédia e, de uma hora para outra, Marlon se torna suspeito e não entende o porquê. Um livro repleto de camadas que mostra que, às vezes, você pode fazer tudo certo, e mesmo assim as coisas dão errado. Mas respeito e compaixão são pré-requisitos para mantermos todas as nossas cores vivas.

“O sol ainda brilha”, Anthony Ray Hinton
Em 1985, Anthony Ray Hinton foi preso sob duas acusações de assassinato no estado do Alabama, sul dos Estados Unidos. Era um engano, ele era inocente e sabia disso. Mas, sem dinheiro e possibilidade de provar sua inocência, passou 28 anos no corredor da morte. Um depoimento extraordinário sobre o poder da esperança nos momentos mais sombrios.

“Cemitério dos pássaros”, de Adelino Timóteo
É a história de Dazanana de Araújo Simplíssimo, um homem rico com ideias excêntricas, entre as quais a crença de que cada homem é, na verdade, um pássaro, e tomaria essa forma após a morte. A obra desse homem se desenrola em uma delicada fantasia humanista.

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